Esquina
Hoje eu me vi na esquina de uma rua movimentada. Estava sentado olhando
os vários rostos desconhecidos das pessoas que passavam apressadamente
sem me notar, sem ao menos me ouvir. Eu usava roupas surradas e sujas, não
pedia, apenas tentava vender alguns panos de prato pra conseguir alguns
trocados. O almoço executivo já estava sendo servido em alguns
restaurantes próximos,o cheiro era insuportavelmente bom, talvez aquela
segunda me traria bons frutos. Não tinha muitas pretensões, mesmo porque
não tive muitas escolhas, ainda era criança e não entendida como o
mundo funcionava, mas às vezes ouvia de homens velhos que a economia
andava subindo no país, falavam de modo excitado e eu me apeguei a isso.
As crianças da minha idade saíam da escola e passavam por mim, também
não me notaram, pois conversavam sobre o novo galã de Malhação. Eu
andava bastante todos os dias, não tanto quanto aquelas pessoas
apressadas que passavam por mim, elas pareciam ocupadas. Tão ocupadas
que não me notavam ali, corriam, faziam compras, reclamavam, riam, tudo
tão rápido, e não me notavam. Hoje eu vi a humanidade sentada em uma
esquina movimentada, queria apenas uma chance de ser notada.


As vezes parece que tudo se baseia na base da competição. Competimos com as pessoas, com os meios eletrônicos, com a natureza, os seres vivos em geral e no final das contas não alcançamos nem a metade da estimativa esperada. Enfim, o que mais deveria ser valorizado acaba sendo descartado.
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