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            Decidi hoje rabiscar uma folha de papel reciclado. 
         Gosto particularmente dessas folhas, por trás de uma há dezenas de papéis que foram reutilizados após seu uso. Quando se trata de um devido fim a uma simples folha de papel, não importa quais suas origens ou seus escritos. Todos, escrituras, processos, cartas, comunicados, notícias, trabalhos, desenhos, divagações, misturam-se, unem-se em uma única folha. 
            Tudo hoje é produzido em demasia, mas nem todo excesso é reciclado. A balança da humanidade pesa apenas para um lado. O nímio da produção torna-nos diferentes dessas folhas de papel. Não podemos, ou não queremos nos reciclar. Somos folhas antigas e amareladas, acumulando poeira em algum almoxarifado por aí. Nos reciclemos, permitamos ser mais, permitamos nos reescrever.

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