E como se o tempo não seguisse em linha reta (parte I.)

           Há pelos quatro cantos do mundo diversos sistemas de crença, situações que motivam ou alimentam as esperanças daqueles que por aqui passam e buscam reais significados para suas vidas, significados estes maiores que os próprios sonhadores.
            Não me simpatizo com o fatalismo dessa realidade, que o que é pra ser é pra ser, mas também não somos deuses para controlar cada detalhe do que possa acontecer. É uma balança que tem que se manter em equilíbrio, de um lado ações que cheguem ao desejo e do outro a aceitação de que nada dura ou está sobre nosso controle. Ironias da vida a parte, quando se busca algo que não se tem, geralmente tem-se uma imagem muito bem formada do quê, mas em certos casos essa procura não tem uma forma, ou rosto, é só um buraco sugando coisas, boas ou ruins.
            Nessa dança do quê se deseja, do quê se tem ou não, e do quê não sabemos que desejamos, apareceu, por entre uma música e outra, uma aurora de fim de tarde, uma miragem alaranjada do sol se pondo por entre colinas, uma imagem perfeitamente nítida de algo que eu não sabia que procurava, mas procurava.
            Esse pôr-do-sol que põe todo o espírito em tranqüilidade, essa magnitude da natureza que, ao mesmo tempo em que esbanja esplendor, emana força e mistério. E num mundo onde o dicionário foi pouco usado para buscar palavras que expressem sentimentos que vão além do óbvio, não há palavras suficientes para descrever um pedaço da imagem que dança em frente os meus olhos, que prende toda minha atenção e respiração, algo tão próximo, com toque e cheiro, tão forte e maravilhoso.
             Poderia aqui escrever centenas de coisas que poderiam definir o turbilhão que você faz em minha mente, como se minha capacidade de raciocinar fosse nula, como se as leis da física se invertessem, como se a química no meu sangue fosse causada pelo seu toque, como se no fundo você não fosse real, mas uma miragem de uma galáxia distante, fora do sistema que orbita minha vida. Algo que me puxa pra fora do usual, que dança no escuro e canta em silêncio. Como se você fosse tudo e mais um pouco, e todo o universo coubesse em seu olhar.

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