Roma
Como posso resumir numa palavra de duas sílabas e quatro letras a bagunça a níveis galácticos que você me faz?
Amor. Palavrinha gasta, como aquela camisa de estampa lavada centena de vezes...Não sai da boca de ninguém, porém pouco sabe-se o que é. Nada se reflete sobre, nada se aprende com. Uma pequena palavra para diversos significados. 'Eu te amo' é mais dito que bom dia e amém juntos, perde a profundidade, fica automático, como um reflexo: recebe-se um gesto afetivo e instantaneamente se rebate com a frase mágica 'Eu te amo'.
Não consigo. Cada um é um universo que opera sua lógica de significados. Como posso chamar de amor minha boca seca e estômago embrulhando antes de te ver? Como posso chamar de amor ver você nos rostos mais diversos, entre as esquinas e as nuvens do céu? Como posso chamar chamar de amor o calor do seu corpo e o doce do seu gosto? Ou sua voz e seu cheiro? Como posso chamar de amor as noites sem dormir ao seu lado ansiando para que você estivesse?
Amor tá pouco, limita demais minha volúpia por ti, que é fluída e quente, translúcida e as vezes opaca, escorrega por entre as mãos e voa. Cada momento modifica a sensação, reaquece, inflama... Chega de palavras e definições... Habita em mim, rega meu jardim, tira meu fôlego, a roupa e deita aqui.

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