Devaneios em Dó Maior

Tem um mês no  meu encalço
Tem poeira no meu barco
Tenho em pendência um abraço
Tenho saudade do que não foi
E vontade do que não é.

Tenho um copo pelo meio
Tenho no peito um receio
De um passado que ainda não aconteceu.

Tenho uma tristeza que fica
e uma alegria que vai.
Uma voz que sussurra presa
e outra que grita solta:

Seu cântico é de indiferença
Mas suas palavras são apelos.

Tenho o silêncio em acordes
Os devaneios como escala
E a solidão como melodia.



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