Luz vermelha. (parte I)

     Carrego um porta retratos comigo. Um bem antigo, com molduras feitas a mão, cheio de contornos e desenhos. Não sei da onde veio, mas sempre está comigo. A foto muda de tempos em tempos. Às vezes ele fica tão pequeno que esqueço o que carrego, mas em outras ele fica pesado, que fica difícil de me mover. Algumas fotos me fazem admira-las por horas, mas na maioria do tempo não olho o porta retratos.
    Seu peso flutua no tempo. Assim como o seu valor para mim. Já o joguei na água, mas ele flutuou. Já o enterrei, mas ele cresceu novo. Já até o queimei, mas ressurgiu das cinzas.
   Imagino se fosse apenas um porta retratos na parede, que não te encara, não te assusta, não te traumatiza, não te olha profundamente, não te envaidece, não te alegra e nem entristece. Imagino se fosse apenas um porta retratos vazio.

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